deus, dizem que o início
gera o vício
nos tira o resquício de liberdade.
e eu que não sei rimar, deus
olhei demais o mar e virei poeta.
de tanto falar em bondade
perdi a minha maldade
e já não livre, pelo costume que me destes,
lá fiz o meu céu cheio de estrelas.
olhando a imensidão de vida
que não se bebe, pois é de sal
como é que se vive nesse mundo sem ser mal?
como é que se vive nesse mundo sem um vício?
ah, me diz, adorável aliciador,
como agora, se comecei
poderei viver sem mais poesias e sem mais vinho tinto?