Sou o réu de branco
a me debater em suas prisões,
a me arrepender por um dia vir a acreditar
que meus sonhos não seriam em vão
(ter de vê-los despedaçados em tuas mãos...)
e em tuas mãos corre o sangue de tantos outros
que também tentaram e perderam, e eu
ainda posso ouvi-los gritar.
(Posso ouvi-los gritar...)
Não podem crer que idéia tão simples
fosse tão impossível de erguer
e agora todas as palavras dos seus discursos
estão mortas
por diplomas, impostos e concursos públicos
Sou o réu de branco e eu nem ao menos existo
Sou motivo antigo a me debater em suas mentes,
para sempre indiferentes:
"só seguir em frente, só seguir em frente..."