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Rodas pisando a estrada
E motores gritando, a vomitar fumaça.
O ar cinzento, um calor preso
E eu sem saber se chegava ou saía de casa.
Gente de olhar pertubador
A exibir sua falta de sanidade
A levantar como um troféu sua tristeza não sentida
A exercer sua condição de mártir não consentida.
Tráfego de carros que por pouco se engolem
E sorrisos plásticos elevados ao céu.
Alternativas tantas e vidas compráveis
E eu sem saber se chegava ou saía de casa.
A rua já mais calma não me convidava
E o quarto não tinha nada de mim.
O pouco que eu ali fora, ao passar do tempo
Parecia varrido, sem restar sequer nos cantos.
Palavras cortantes de melodia familiar
A talhar a carne e precisar o alvo.
O vão entre dois móveis, a escuridão fria do cômodo.
O rosto molhado e eu a descobrir
Onde é que finalmente cabiam as minhas pernas.
Soprado por
Lara
às
23h26
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