Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


Rodas pisando a estrada

E motores gritando, a vomitar fumaça.

O ar cinzento, um calor preso

E eu sem saber se chegava ou saía de casa.


Gente de olhar pertubador

A exibir sua falta de sanidade

A levantar como um troféu sua tristeza não sentida

A exercer sua condição de mártir não consentida.


Tráfego de carros que por pouco se engolem

E sorrisos plásticos elevados ao céu.

Alternativas tantas e vidas compráveis

E eu sem saber se chegava ou saía de casa.


A rua já mais calma não me convidava

E o quarto não tinha nada de mim.

O pouco que eu ali fora, ao passar do tempo

Parecia varrido, sem restar sequer nos cantos.


Palavras cortantes de melodia familiar

A talhar a carne e precisar o alvo.

O vão entre dois móveis, a escuridão fria do cômodo.

O rosto molhado e eu a descobrir

Onde é que finalmente cabiam as minhas pernas.


Soprado por Lara às 23h26
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