Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


Procissão

Sagrada hora conta o passo
pega a vela caça o maço
olha o céu e a luz vê
e ensina os filhos a crescer

Olha aqui pra aprender
a andar sem se arrepender
olha o céu e agradeça
reza e vela não se esqueça

Tudo vem pra quem se espera
só acredite, não emperra
a fé nos segue no calço
não reclame o arregaço

Quem espera tem a razão
não questione se tens pão!
anda rápido, acompanha o passo
quando em casa tem engaço

Num olhe pra trás, mas sim pra cima
dê graças e segue a rima
Ele haverá de ajudá
ainda que morra estará lá

Segue o passo
reacende a vela
olhe pra cima
e deixa ela

Soprado por Trunkael às 19h10
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Catártico

(...)

E se é e se não é
E se pode não balança com as patas na'lgibeira
Embriagado de luar a imaginar o mar que nunca viu nem nunca virá enquanto passagem for coisa de burguês

(...)

Mas volta seco de pó
Secado em feiúra
Pecado
De impuro de incasto de inútil
Flagelo
Na pele tem talho de ato
Falho sempre ao tentar ser errôneo
Um lado de culpa e outro de dedo que aponta
Busca solução e torna a mergulhar na feiúra de

Achar que estava em Drummond em Bandeira em Rodrigues em Lispector e se viu no espelho
Nu como o mais nu dos nus
Cheio de pêlos que pelos peitos escorriam como se quisessem fugir pelos ombros
(que não suportam um mundo, nem ao menos uma farpa de mundo)

(...)

E não é apatia falta de propósito ou de tentativa
É que o que é se escancara demais e persegue até no canto mais teu em que se busca esconder
O cotidiano não se solta dos olhos, só salta até eles
Do menino que acata às ordens de se segurar dentro do ônibus, do sopapo que a puta levou no pé do ouvido, das mãos sujas e da mente leve do despudorado
Da vida não se escapa

E pelo tempo a escoar as rugas a nascer e esfarelar ossos e prédios
Por esgotos a cair e levar pura merda com pedaços de milho amarelo-ouro
Comendo banana-maçã e laranja-pêra a imaginar quão doce era a p a m o n h a f r e s q u i n h a p a m o n h a da infância no norte
Com o eterno fardo da vida
Deu o tiro e não morreu.


Por Lara e Rafael [pro-lixo.blogspot.com]

E o poema na íntegra, pra quem tem paciência, tá aqui http://laravedder.blogspot.com



Soprado por Lara às 10h03
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