pra não dizer que não falei das flores.
não as mesmas de vandré
mas outras, margaridas não, nem camélias
azaléias
ou girassóis...
...outras, mas não como as do cantor, embora
amadas, armadas - ou não.
não que eu saiba como ela é
mas ouço, presto atenção aos poemas
e temas - eu
sei dos nós...
não que eu saiba aonde ir, isso é só
pra que não digam que não falei das flores
e dores
dos espinhos
encravados na pele; no rosto, no braço, recorda
do cheiro, cheio de pesar...
não que eu sugira seguir, reerguer do pó
aconselho sim que destrua, do caule à raiz
indo assim
até ferir a corola.
não que seja a opção com mais glória,
porém essa deixa-te livre para outro furto
surto de
sensações,
do modo que sempre se fez: ser devorando ser -
a não ser no nascer da simbiose - esta, que
não é o único meio de tocar a rosa,
mas é recurso para tê-la em verdade: e ela
não rasgue
suas mãos com o caule.
pra não dizer que não falei das flores
pra não dizer que não citei caminho
não ande
como se possuísse a terra
não guarde
pétala entre folhas de livro
se isso é guerra, não se espera
pois esperar não é saber, e quem
sabe faz a hora, não espera acontecer.