Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


vou recolher meu
       tempo
dos interstícios,
   das falhas,
dos erros da estrada.

lá, onde se acumulam,
como água de chuva recente,
um minuto e alguns outros -
           remanescentes
              de horas dispersas,
indiferentes entre si.

de joelhos
com a boca
feito um animal
buscar nos vãos
do asfalto
o que me sobra do meu
ou o que esquecem do deles.

feito um animal
com a boca seca de sede
não obstante cheia da água
daqueles mesmos vãos.
movido pela intuição?
                       o instinto,
    irrefutável lógica da falta:
bebe agora pela vontade
que um dia há de ter.

por essa saudade prematura.
por uma fé ao inverso.

vou recolher meu
       tempo
dos interstícios,
   das falhas,
dos erros da estrada.



Soprado por b.m. às 01h27
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