Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


se calhar de eu morrer amanhã,

   ou depois, tanto faz,

quero ter engravidado minha namorada por engano

     e quero que digam ao meu filho

que seu pai morreu como um homem e não como um

                       cão.

se eu morrer amanhã, mas, não obstante, meu espírito persistir,

  desejo que chorem no meu enterro

  muito mesmo, demais

pra eu saber que me amavam.

quero que digam aos meus avós que eu tentei ser metade

   do que sonharam

quero que repitam aos meus amigos dois terços do que eu

   sempre disse quando estava bêbado

(e só bêbado, porque sou um babaca)

quero que digam ao meu inimigo

   que nossos olhos se parecem

    mas que não vou admitir isso, mesmo morto.

pra minha mãe você diz que se morri, morri, é isso, é a vida

   que se é pra dizer alguma coisa a ela,

  que seja tão natural quanto todos os cafés da manhã.

digam a minha namorada que eu a amei.

(e matem, ou pelo menos dêem um tiro na perna

de todo filho da puta que for beijá-la daqui pro fim da vida)

ah, digam a posteridade

que morri por um sorriso, que morri por meu orgulho e que morri por minha palavra.

e me abandonem ao nada, enfim.

obrigado desde já.



Soprado por b.m. às 12h39
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