Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


caminhei até onde

as tabuletas de pedra estavam:

destroçei minhas unhas e as pontas dos meus dedos

e quebrei o pulso e arruinei os ossos e os nervos nos braços

enquanto as porções de sangue vazavam dos punhos fechados.

 

eu tentei destruir

com uma humanidade interior antiga e estúpida

o que os gigantes de carne e aço e artérias cheias de petróleo

escreveram há três mil séculos usando

esses seus dentes amarelos, enormes como prédios de Manhattan.

 

Mas a frieza e a absoluta invulnerabilidade da pedra

já me haviam corrompido anos antes de nascer em mim quem sou.

e não pude, não tive forças nem coragem; e foi quando tentei

chorar, assim como o Poeta fez. Mas a mim também não me foi

permitido demonstrar fraqueza à luz da noite.

 

Eu quis ter arrancado meus olhos porque já não seguiria

um caminho humano de vigília e combate; a escuridão,

tinha corpo, era cálida, seu cheiro me guiava e seu sorriso

não precisava ser visto porque brilhava além da visão ordinária.

Eu quis ter arrancado meus olhos porque me sentia em casa, enfim.

 

As leis talhadas nas tabuletas de rocha:

Não podendo destruí-las, eu apenas me levantei e ri.

E agora meu riso ecoa corroendo deuses e corrigindo mundos.



Soprado por b.m. às 13h21
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