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cotidiano
a mulher que lê cartas taxou minha melancolia de prenúncio de alguma coisa embora a mim só parecesse essa tristeza batida renitente mesmo --- mas minha tristeza me alegra porque sei que vou poder escrever dela depois. tão tão garcia marquez nessa afirmação. --- e eu fiquei tão feliz com um telefonema, esses dias, sorriso de quem ganhou na boca de quem não tinha ganhado grito de vitória contido, hilda, sim, e depois criança morta pra mãe, fernando, sei que sim, mas na hora que queria era gritar para cada amigo que venci. orgulhem-se de mim. --- pedir para que as pessoas se orgulhem de você é meio babaca. tenho que me lembrar disso. --- e fica me incomodando um poema que começaria: "se a alegria me trair"... com um jogo de palavras discretíssimo com a palavra "alegria" e com aquela língua morta, o latim, e no final eu vencia inexoravelmente tudo o que viesse. mas nunca sai, o maldito poema. --- o ano acabou. dessa vez eu não viajei e assim não houve uma quebra brusca. os dias me parecem ligados não vejo fronteira. essas férias me aporrinham já quero ir conversar na faculdade. começar a consertar coisas já por as coisas nos lugares certos. --- li um texto do ivan lessa. fantástico. que coisas? que lugares certos?
Soprado por
b.m.
às
13h48
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