Posso até viver sem Poesias, mas nunca sem Vinho Tinto!

 


cotidiano

a mulher que lê cartas
taxou minha melancolia
de prenúncio de alguma coisa
embora a mim
só parecesse essa tristeza batida renitente mesmo
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mas minha tristeza me alegra
porque sei que vou poder escrever dela depois.
tão tão garcia marquez nessa afirmação.
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e eu fiquei tão feliz com um telefonema, esses dias,
sorriso de quem ganhou na boca de quem não tinha ganhado
grito de vitória contido, hilda, sim,
e depois criança morta pra mãe, fernando, sei que sim,
mas na hora que queria era gritar para cada amigo
que venci. orgulhem-se de mim.
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pedir para que as pessoas
se orgulhem de você
é meio babaca.
tenho que me lembrar disso.
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e fica me incomodando um poema que começaria:
"se a alegria me trair"...
com um jogo de palavras discretíssimo com a palavra
"alegria" e com aquela língua morta, o latim,
e no final eu vencia inexoravelmente tudo o que viesse.
mas nunca sai, o maldito poema.
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o ano acabou.
dessa vez eu não viajei e assim
não houve uma quebra brusca.
os dias me parecem ligados
não vejo fronteira.
essas férias me aporrinham já
quero ir conversar na faculdade.
começar a consertar coisas já
por as coisas nos lugares certos.
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li um texto do ivan lessa.
fantástico.
que coisas?
que lugares certos?

Soprado por b.m. às 13h48
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